quinta-feira, 8 de julho de 2010

31 de março

Curitiba. Essa tendência que se cria de tentar entrar na mesma freqüência dela. Frenética, acelerada. Duas horas de nada pra fazer entre os entres corridos e, ao invés de se preocupar com o amanhã, você se permite sentar no banco da praça e observar.
Eu e mais duas. Uma, de aniversário. Detalhe mais que significativo, já que pelo menos hoje, a gente tenta dar um jeitinho de deixar o dia mais colorido.

Devia ser umas duas horas da tarde, e nós ali, sentadas no banco da praça. Dia gostoso, nem sol de mais, nem de menos. Antes mesmo de pensar em focar em algo, nossos olhares já estavam fixados em dois meninos de 6,7 anos e uma garotinha, mais velha, com seus 8, 9. Os dois meninos nem aí pra ela, na gangorra, divertindo-se horrores. E a garotinha, tentando de todos os jeitos chamar a atenção deles: Jogava-se em cima da gangorra em que eles estavam, tentava tirar à força um dos dois de lá, saia correndo e ia brincar no escorregador com cara de “eu tenho um escorregador só pra mim, venham aqui roubar ele de mim”. E nada. E entre pausas e movimentos bruscos, ela tentava de tudo. Mas entregar o jogo e convidá-los pra brincar? Jamais.


Mal sabia que esse era só o começo de relações entre as várias que teria com o sexo oposto. E por mais que ela crescesse, as atitudes não mudariam muito não. Mas ela era forte e poderia suportar isso. Naquele joguinho de “não estou nem aí pra vocês dois”, ela, sem querer, acabou se convencendo que não precisava deles pra brincar. E foi pra outra gangorra, sozinha: Usava o peso do seu corpo pra andar sobre o brinquedo, equilibrando-se. Ali a menina ficou, concentradíssima, pesquisando a movimentação focada no fator peso em um espaço alternativo. Nem olhava mais para os lados. E não era ceninha não.

Talvez, por percepção masculina ou por infeliz coincidência, no momento em que ela estava realizada so-zi-nhaaaaaaaaa, os meninos foram até a gangorra da garotinha, imitar o que ela estava a fazer. E foi aí que ela viu que poderia ser feliz de verdade: O sorriso mais que sincero, aberto, largo, meio sem jeito, expondo o desejo guardadinho.Han, agora sim! Sua hiperatividade denunciava o entusiasmo de ter tão perto o que ela quis tanto.

E como se já não bastasse tamanha alegria, ela estava no comando da brincadeira. Eles a imitavam. Eles estavam ali, fazendo o que ELA tinha inventado. É, realmente, eles não saberão mais viver sem mim, sem a minha criatividade, minha genialidade, minha experiência na arte de brincar, ela pensava, obviamente. A garota, extasiada, sentia-se uma princesa: Já desenhava seu futuro, visualizava várias tardes felizes em outros parques, com aqueles dois. Han, como a vida é colorida!

E, em menos de três minutos, os meninos enjoaram da brincadeira e foram para o escorregador, sem titubear. E ela, em pausa, olhou desapontada para os dois afastando-se cada vez mais dela, que sequer olharam para trás.
A menina não viu outra saída a não ser sair correndo e parar no colo da sua mãe.

4 comentários:

  1. Eu não acredito q tu tem mais uma amiga q faz aniversário dia 31 de março!!!
    :/ hunf...

    Beijo feiosa! Saudadee!! =)

    ResponderExcluir
  2. hahaha....
    amei a comparação.....
    e... realmente a história se repete!!!!

    chato isso...
    =/

    ResponderExcluir
  3. Eita, mulher sofre desde sempre!hehehe! Adorei! Escreva mais!! bjus! =)

    ResponderExcluir
  4. umaa vida inteira minunciosamente revelada em poucos minutos no parque.
    ótimo texto carolinda!
    voce sempre assim; S-U-R-P-R-E-E-N-D-E-N-D-O

    beijos
    ;)

    ResponderExcluir