sábado, 1 de maio de 2010

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Filho do fast food e do desespero.
Continua, Vai lá. Teu mérito maior é a velocidade. A velocidade com que troca de valores, de amigos, das coisas que diz que tanto precisa.
Basta um click para deletar seu amigo do peito. Basta uma ausência para você esquecê-lo. Adestrou teus neurônios a nada durar, nada criar raízes, deixar rastros. Teu lixo é imenso, e todos estão lá. Inclusive seus amores. Seus amores que duram a eternidade de uma fome matada.
Tudo que te rodeia tem que ser a tua cópia, o teu mesmo jeito imbecil de pensar e agir. Amigos que são amigos são iguais a você, é óbvio. Seu débil. Nunca discorda de nada e descarta todo dia um tudo diferente, porque, puta que pariu, as pessoas enjoam.
Tu não te importa com nada, apenas com teus perfis lotados de desconhecidos. E se um deles mudar o disco ou o discurso, você não os reconhece, nem lembra mais do nome.
Nunca arriscou nada, não lutou por ninguém, nem por você. Muda de desejo como quem troca as meias. Mas o plim-plim da TV anuncia a moda e você corre, desesperado, alucinado.
Quer sempre estar a frente, não sabe do quê. Morre de medo de descobrirem a verdade. De você descobrir a verdade. Que você não é um camaleão, que você não é o rei da adaptação, você é uma mentira, Maria vai com as outras.
Banaliza tudo, ri de tudo. Ridículo, fútil, descartável. Sua retórica sofista acha que engana, cheia de ornamentos inúteis.

Cheio de ruga na cara, e nenhuma tem uma história pra contar.